Puma concolor capricornensis Goldman, 1946
NOME POPULAR: Onça-parda; Parda (RS, SP, PR, MS, MG); Puma; Suçuarana (RS, SC, SP, PR, MS, MG, RJ, ES); Leão-baio (RS); Leãozinho-baio e Leãozinho-da-cara-suja (PR); Onça-vermelha (MS)
SINONÍMIAS: Felis concolor (Linnaeus,1771); Hershkovitz (1959) propõe que as subespécies Felis concolor greeni e F. c capricornensis são sinonímias de F. c. concolor; Culver et al. (2000) agruparam Puma concolor greeni, P. c. acrocodia e P. c. borbensis com P. c capricornensis
FILO: Chordata
CLASSE: Mammalia
ORDEM: Carnivora
FAMÍLIA: Felidae
STATUS DE AMEAÇA
Brasil (MMA, IN 03/03): Ameaçada
Estados Brasileiros: RS (EN); PR (VU); SP (VU); RJ (VU);
ES (EN); MG (CR)
Anexos da CITES: Anexo II
CATEGORIAS RECOMENDADAS
Mundial (IUCN, 2007): não consta
Brasil (Biodiversitas, 2002): VU – A4c
- INFORMAÇÕES GERAIS
Puma concolor capricornensis, assim como as demais subespécies de Puma concolor, é um felino de grande porte, com coloração variando do marrom-acinzentado mais claro ao marrom-avermelhado mais escuro, com a ponta da cauda preta, podendo também apresentar uma linha escura na extremidade dorsal. Os filhotes nascem com manchas pretas, adquirindo, quando adultos, uma coloração uniforme, sempre com a porção ventral mais clara. Em toda a área de ocorrência de P. concolor, foram reconhecidas 32 subespécies (Cabrera, 1961b; Jackson, 1955; Young & Goldman, 1946), com base em critérios geográficos e morfométricos. Pode haver, porém, grande variação individual entre animais que vivem na mesma região. No alto rio Paraná (MS), o comprimento total para P. c. capricornensis varia de 1,65 a 2,10 m (n=12), sendo que a cauda mede cerca de 35% desse total. A média de peso é de 37 kg para fêmeas (n=5) e 56,5 kg para machos (n=6), segundo D. Sana (dados não publicados). O tamanho corporal pode variar de uma região para outra, de acordo com a disponibilidade de presas e a simpatria com outros carnívoros (Iriarte et al., 1990). Sendo um dos carnívoros mais generalistas, P. concolor apresenta uma dieta variada, predando desde répteis, aves, pequenos roedores, marsupiais, tatus (Euphractus sexcinctus, Dasypus spp.) e cutias (Dasyprocta spp.), até presas maiores, como capivaras (Hydrochaeris hydrochaeris), tamanduás (Myrmecophaga tridactyla, Tamandua tetradactyla), porcos-do-mato (Tayassu pecari, Pecari tajacu) e cervídeos (Mazama spp., Ozotoceros bezoarticus, Blastocerus dichotomus), além de animais domésticos, como gado eqüino, ovino, bovino e suíno. (D. Sana, dados não publicados; Iriarte et al., 1990; Mazzolli et al., 2002; Oliveira, 1994; Polisar et al., 2003). A espécie tem hábito preferencialmente crepuscular-noturno, mas pode ter atividade durante o dia, nas áreas com menor interferência antrópica (Crawshaw & Quigley, 1984; Silveira, 2004: D. Sana, obs. pess.). No Novo México, EUA, a área de vida média para a espécie foi de 193,4 km2 para machos (n=24) e 69,9 km2 para fêmeas (n=30), mas o tamanho da área pode variar de acordo com o ambiente, disponibilidade de presa e competição intraespecífica (Logan & Sweanor, 2001). A densidade total de pumas no mesmo local variou de 1,72 a 3,90 ind./100 km2, em sete anos, baseada no monitoramento de 42 a 82 indivíduos (Logan & Sweanor, 2001). No Pantanal, Crawshaw & Quigley (1984), baseados em dois indivíduos, estimaram densidade de 4,4 ind./km2. Estudos estão sendo realizados para estimativas populacionais da subespécie na região do alto rio Paraná pelo Instituto Pró-carnívoros e Instituto de Pesquisas Ecológicas. Nesta região, a área de vida encontrada para uma fêmea foi de 225 km2 e a média para dois machos foi de 248 km2, em paisagem transformada pela agropecuária (D. Sana, dados não publicados). Com gestação de 82 a 98 dias, a média de filhotes varia de dois a três por ninhada (Anderson, 1983; Currier, 1983; Logan & Sweanor, 2001). No alto rio Paraná, a média encontrada de filhotes já acompanhando a mãe é de 1,5 (n=6) (D. Sana, obs. pess.). A espécie ocorre em grande diversidade de biomas, de áridos desertos a florestas tropicais, do nível do mar até 5.800 m de altitude (Eisenberg & Redford, 1999). No Brasil, é encontrada em todos os grandes biomas (Silva,1994), sendo que a subespécie Puma concolor capricornensis ocupa diversos ambientes do Cerrado e principalmente da Mata Atlântica, do nível do mar até próximo de 2.900 m de altitude.
- DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

- PRESENÇA EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
Inúmeras Unidades de Conservação têm ocorrência da subespécie, porém serão citadas as áreas de proteção integral mais relevantes, com mais de 10 mil ha. PARNA Aparados da Serra e PE Turvo (RS); PARNA Serra Geral (RS/SC); PARNA São Joaquim e PARNA Serra do Itajaí (SC); PARNA Ilha Grande, PARNA Superagüi, PARNA Saint Hilaire-Lange e PARNA Iguaçu (PR); PARNA Serra do Cipó, PARNA Serra da Canastra, PARNA Grande Sertão Veredas, PARNA Cavernas do Peruaçu, PARNA Sempre-Vivas, PE Rio Doce e REBIO Mata Escura (MG); PARNA Caparaó (MG/ES); PARNA Itatiaia (RJ/MG); PARNA Serra dos Órgãos, PARNA Serra da Bocaina e REBIO Tinguá (RJ); PARNA Pontões Capixabas e REBIO de Sooretama (ES); PE Serra do Mar, PE Morro do Diabo e PE Aguapeí (SP); PE Várzeas do Rio Ivinhema (MS).
- PRINCIPAIS AMEAÇAS
A maior ameaça à conservação da onça-parda está na destruição de hábitat e suas conseqüências, mesmo sendo mais adaptável à degradação ambiental do que a onça-pintada (Panthera onca). Apesar da grande área de distribuição, a subespécie Puma concolor capricornensis encontra-se na região com maior influência antrópica do país. A ocupação da terra pela agropecuária restringiu a ocorrência dos animais aos fragmentos de vegetação original. Em algumas regiões, isso pode causar isolamento de populações e maior conflito com o homem, pela falta de refúgios e predação de animais domésticos. Da Mata Atlântica, onde tem sua maior distribuição, resta entre 7 e 8% da área original, sendo provavelmente o ambiente mais ameaçado do mundo (Galindo-Leal & Câmara, 2005). Também a caça, tanto de suas presas naturais quanto da própria espécie, é uma grande ameaça às populações remanescentes.
- ESTRATÉGIAS DE CONSERVAÇÃO
A curto e médio prazos, a manutenção de áreas preservadas, a regularização das Unidades de Conservação e a fiscalização para evitar a caça auxiliarão na conservação da espécie. Técnicas para evitar o conflito entre homem e predador, resultante da predação de animais domésticos, devem ser aprimoradas e implementadas nas áreas de ocorrência, juntamente com programas educativos. Estudos genéticos e taxonômicos devem ser aprofundados para elucidar as questões referentes às subespécies e à diversidade intraespecífica. Esforços devem ser feitos para manter a variabilidade das populações nos diferentes biomas. A longo prazo, conexões deverão ser estabelecidas entre áreas de populações isoladas.
- ESPECIALISTAS/NÚCLEOS DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO
Instituto Pró-Carnívoros; IPÊ; AMC; CENAP/IBAMA; Peter G. Crawshaw Jr e Júnio Augusto Silva (IBAMA); Marcelo Mazzoli (UFRGS / Projeto Puma) e Luiz Guilherme Marins de Sá (ISCN).
Fonte: Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção
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