sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Brasileiros comentam avanços na busca pela 'partícula de Deus'

Cientistas se reuniram em São Paulo para analisar os dados divulgados.
Definição sobre a existência do bóson de Higgs deve ocorrer em 2012.

  Físicos brasileiros receberam positivamente os resultados apresentados por cientistas do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern, na sigla em francês) nesta terça-feira (13), sobre avanços na procura pelo "bóson de Higgs" - partícula que seria responsável pelo surgimento da massa no Universo.
  "Ainda é cedo para afirmar, é necessário esperar mais um ano pelos dados definitivos, mas nós temos dois experimentos que apontam para os mesmos resultados", afirma Sérgio Novaes, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e participante de um dos experimentos do Cern que teve seus resultados divulgados nesta terça.
  Novaes e colegas se reuniram no Instituto de Física Teórica da universidade para acompanhar a transmissão ao vivo dos dados.
  O brasileiro se referia a dois experimentos chamados Atlas e CMS, que foram realizados no Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), uma máquina de 27 quilômetros na Europa destinada a colidir prótons a velocidades próximas da luz. Esse bate-bate gera outras partículas. Uma dessas poderia ser o bóson de Higgs, que mesmo nos modelos teóricos é algo extremamente raro de ser encontrado.

               

Ilustração de uma colisão entre partículas promovida pelo acelerador LHC. É com experimentos como esse que os cientistas estudam partículas como o bóson de Higgs (Foto: Cern)

  Uma das alunas de Sérgio, Flávia Dias, está atualmente no Cern e acredita que o entusiasmo dos cientistas no local está dividido. "Basicamente, os físicos teóricos estão mais empolgados que os experimentais, que costumam ser mais conservadores mesmo", afirma.
  Os dois experimentos trabalham por exclusão -- ou seja, analisam partículas geradas após as colisões e tentam descobrir quais delas não podem ser o Higgs.
  Com os dados revelados nesta terça, o CMS e o Atlas não podem dizer que descobriram o Higgs nem que sabem onde ele está -- mas que sabem onde ele não está.
  O que isso significa? Na prática, os cientistas agora precisam se preocupar apenas com os dados de uma pequena parte dos gráficos - carinhosamente identificada como "faixa do Brasil", por estar nas cores verde e amarela.

Sigmas
  Toda a expectativa sobre os dados divulgados gira em torno dos "sigmas". Mas o que é isso? Nos gráficos apresentados pelo Cern, o sigma é a medida que mostra a chance de um evento acontecer por acaso.
  Entre os físicos de partículas, para que uma nova descoberta seja aceita é preciso que ela possa ocorrer uma vez a cada dois milhões de eventos. Quando isto acontece, os especialistas falam em "5 sigmas", o que significa que este evento tem 99,999943% de chance de ser verdadeiro.
  Para que os cientistas cheguem a este valor, é preciso um número maior de dados. "Até 2012, o volume de dados deve ser quatro vezes maior e nos dará segurança para afirmar se a partícula existe ou não nessa faixa de massa", afirma Eduardo Gregores, professor da Universidade Federal do ABC.
  Todos os modelos teóricos que explicam como as partículas funcionam trabalham com a ideia de que elas não têm massa. Segundo os cientistas, elas só passariam a ter massa quando entrassem em contato com o campo de Higgs, algo que preencheria todo o Universo e seria o responsável por "transmitir a massa". O bóson de Higgs seria uma partícula necessária para esse campo existir.
  Se você está coçando a cabeça tentando entender como um corpo como nosso pode ter "emprestado" massa de outro lugar, talvez seja conveniente ver como os físicos entendem os valores que vemos na balança. "De maneira grosseira, massa nada mais seria do que a 'dificuldade' para se retirar um corpo de um lugar", diz Sérgio.
  "Todas as partículas têm massa", afirma Eduardo. "Quando não houver massa, supõe-se que esta partícula esteja viajando na velocidade da luz. Já para qualquer objeto com massa, isso seria impossível, ele deve sempre viajar mais lerdamente ou estar parado."


Modelo Padrão e o futuro
  A física das coisas muito pequenas é explicada atualmente em um esquema aceito por boa parte dos cientistas chamado Modelo Padrão de Partículas Elementares.
  Mas esse grupo de teorias somente explica como funciona o mundo das partículas. Questões como a existência de matéria e energia escura e até mesmo a gravitação não são contempladas por esse modelo.
  "Atualmente, existem pesquisas que buscam explicar a gravitação por meio de uma partícula chamada gráviton", afirma Sérgio Lietti, físico da Unesp.
  Isso significa que mesmo se descoberto, o bóson de Higgs não resolveria todos os problemas do mundo. Até mesmo dentro do próprio Modelo Padrão, a confirmação do bóson significaria que outras partículas precisariam existir.
  "De acordo com a massa que for descoberta para o Higgs, nós teríamos de fazer novos testes e adaptar novamente o Modelo Padrão", afirma Pedro Mercadante, físico da Universidade Federal do ABC.
  "Se um dia a gente vier a descobrir o bóson de Higgs, o próximo passo seria construir uma máquina para trabalhar somente na faixa de massa que ele vier a ter", diz Gregores. "Isso já aconteceu no passado com outras partículas como o bóson Z, que foi testado em outro acelerador mais antigo do Cern."
Condições Atuais em PVH IUV com Nuvem
26ºCTEMPERATURA
88%UMIDADE RELATIVA
28ºCSENSAÇÃO TÉRMICA
NE5km/h
DIR. E INTENSIDADE
DO VENTO
1010hPaPRESSÃO ATMOSFÉRICA *
Parcialmente Nublado - Sol entre poucas nuvens.


10/02/2012
06h30
Fonte: Redemet Dados de AeroportosAtualizado: 10/02/2012 07h00ND-Não disponível *Pressão Reduzida ao Nível Médio do Mar







Fonte: G1, em São Paulo
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